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quarta-feira, 19 de abril de 2017

NOVOS POEMAS

       - I - 


...DÓ!


Não sou com falta de ti
Estou num estado de dó...
Sou nem a sombra de mim.
Assim, sem ti, eu sou só
Um estágio antes do fim,
entravo em treva de pó...
Sou só  quando estou em ti
E, estando em ti, eu sou sol!


           Altair de Oliveira - In: "Dó!"


     - II -


COMIGO AMIGO INIMIGOS

Ué, sou eu o eu que me habita!
Me irrita ver que o sigo feito um cego
Mas me excita, pois consigo ser seguido
Por tantos outros eus que eu carrego
E que nem sempre obedecem ou dão ouvidos
Aos ritos que eu prego e que eu sigo
Ou às metas que me entrego e que persigo
De me encontrar em paz e envolvido
Em como ver meu bem de bem comigo.


               Altair de Oliveira - In: "Dó!"



Poemas: Altair de Oliveira.
Ilustração: Trabalho do pintor alemão Emil Nödel

domingo, 1 de dezembro de 2013

O Chamado



O CHAMADO


O teu perfume não falha
fala num tom comovido
de teu desejo guardado
bordado em dias compridos
que agora quer se entregar...
tragar-me ao me ser servido!

O teu perfume me toca,
e me evoca todos os sentidos
Eu sinto que me convocas,
ardente sob o vestido...
Promete os sétimos céus
dos paraísos perdidos!

O teu perfume me clama,
me chama de "meu querido"
Me acorda fazer deleites
com condimentos contidos
e me ataca tão com amor...
que então, amor, eu revido!


Altair de Oliveira - In- O Lento Alento

domingo, 30 de dezembro de 2012

Desandanças.



  DESANDANÇAS


Sou desde cedo incompleto
perto de estar descontente
busco no todo e no sempre
tomar um tento do incerto.

Esgrimo por entre as gentes
conserto meus desconcertos
e eu tento, de todo jeito,
manter um sonho por perto...

Disfarço meus embaraços,
enfrento mil contratempos
Num tempo de pouco tempo
Contemplo o pouco que faço.

Mas inda trago esperanças
que a sorte um dia me alcance
onde, apesar de impedâncias,
eu possa dançar...e não dance!



Poema de: Altair de Oliveira, In: "O Lento Alento".
Ilustração: foto de estatueta de "Degas".

Altair de Oliveira - In- O Lento Alento

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Incêndio!

INCÊNDIO


De hora em hora
quero estar por perto
e é quase certo que
te adoro tanto...
quando te espero
sempre desespero
e te procuro pelos
quatro cantos.

Quando contigo
sempre me contento
e, que me lembre,
rio todo o tempo!!!
Mas se me somes,
chama que me chama,
clamo que assomes
pelos quatro ventos...





Altair de Oliveira - In- O Lento Alento
Ilustração: Dança Cigana com Leque.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

EX-CRAVO, ESCREVO...



A musa quando me usa

Me ativa como cativo,
Um serviçal obtuso,

Um apaixonado de ofício.
Eu me doo todo por ela,
A bela que me escraviza.
Eu me doo todo à ela,
Tentando mostrar serviço.
Mas sei que sempre me esnoba

E me rouba a alma e o viço.

Me deixa pedindo esmolas,
Me imola num sacrifício...






Poema de Altair de Oliveira - In- O Lento Alento
Ilustração: desenho de uma Dominatrix.

sábado, 3 de setembro de 2011

O FIGURANTE SORRIDENTE
(Para Bia de Luna e Dante Alighieri)


Diante de Dante, Bia só me ria
Quando me via rir-lhe radiante
No mesmo instante, eu ressorindo lia
O riso lindo que Bia fazia...

De tão bonito inibia o Dante!


Eu no meu canto, Dante no seu canto
Cantava Bia que me via e ria
O riso dela, que era bela, ardia

Todos eternos céus de meus espantos

Pondo distantes os infernos de Dante.


E eu comedia o riso desmedido

Retribuído à Bia sorridente

Que prometendo o fogo dos amantes
Deixava Dante a cantar no seu canto

Enquanto eu, dissimulante, ria

Desinibindo rios que me ardiam

Pra nos lançar num mar de gozo eterno

e por ao léu o belo céu de Dante.




Poema de Altair de Oliveira - In- O Lento Alento

Ilustração: "Fantasia", de Jesus Fuertes.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

PÁSSARO DE LATA


Inventei para ti
um pássaro de lata

armado de cordas
e que se pode armar,

por meio dum encanto,
inesperado canto

e se postar esperando
num canto da sala.

Um urutau-de-gala,
um pássaro malhado,

desprovido de norte,
de mortes, de matas...

Pássaro sem asas,
(para se ter em casa!)

com olhar maquiado,
maquinando trinar,

treinando entonações
possíveis de pintar
de
tua mente atenta e,
repentinamente,

refletir todas cores
que lançares ao ar!!!




Poema de Altair de Oliveira - In- O Lento Alento

Ilustação: Desenho de Di Cavalcanti.

terça-feira, 5 de abril de 2011

O Primo Beijo

O PRIMO BEIJO


Acolho-me à flagrância

da fragância

Se vejo a flor que beija

o beija-flor

Seus lábios, frutos vescos,

surtem cor

Parece que perecem

de carícias...

Pois brilham providentes

de delícias

Abertos, colibrisam a nave-flor!



Poema de Altair de Oliveira - In: "O Lento Alento".

quarta-feira, 9 de março de 2011

Heróis e Dias Amenos

HERÓIS & DIAS AMENOS


Temos que a vida não dói.
- Viver é tudo que temos!
Ao menos somos os heróis
Da história que nos fazemos.
E, enquanto o tempo nos rói,
Tecemos planos de engenhos...
Vamos em busca de sonhos
Usando de asas e de remos.


Galgamos sobre o passado
Buscando os dias amenos
Tememos sobre o futuro
Que nem sabemos se temos
Jogamos os nossos melhores
Tentando ganhos pequenos
Treinamos poses de heróis
Da história que nós queremos!

Enfim, nós somos assim:
Restos de tudo que fomos
Mas sempre somos heróis
Da história que nos contamos
Nos cremos por maiorais
Que, ao certo, um dia seremos
Morremos sempre no fim...
- Fingimos que não sabemos!



Altair de Oliveira - In- O Lento Alento


Ilustração 1: Foto de painel de cerâmica de Poty Lazarotto;
Ilustração 2: Foto de arte rupestre.

domingo, 3 de outubro de 2010

NÓS OCULTOS


Além de ti e de mim
ocorre o nós
e os nós pelos quais

nós buscamos nos unir...


Nós
que tentamos mostrar-nos
um ser maior
para, a todo custo,
esconder
que estamos sós.


Altair de Oliveira - In- O Lento Alento


Ilustração: Abraço com janela negra, de Mário Orozco

sábado, 26 de junho de 2010

Inapagável Apego

INAPAGÁVEL APEGO

Apesar desta distância que nos tolhe
E da falta de teus braços, que me esfriam
Eu te afago tatuada na memória
E o fogo que respondes acaricia...
Teus olhos sagitais inda me atingem
E me fingem uma anti-última alegria...

Altair de Oliveira, In: O Lento Alento.


Ilustração: Corada de Beleza II, de Peter Max